E agora parece que todas as atenções estão, cada vez mais, voltadas para essa figura híbrida e praticamente desconhecida chamada superdelegado que, aparentemente, tem o poder de livremente decidir em qual dos 2 candidatos votar (e, por isso, estão a ser "perseguidos" por ambas as camapanhas qual Britney Spears pelos papparazzi - ouvi esta frase esta manhã na CNN e adorei a analogia!).
No entanto, na prática, muitos já vieram desmitificar esse "poder" e afirmar que, independentemente da sua convicção pessoal, vão votar no candidato "escolhido" pelo Estado que representam.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Texas
O Estado do Texas proporcionou o momento da noite.
A CNN não arriscava qualquer previsão. A contagem dos votos processava-se de forma lenta (acabei por me ir deitar umas horas após o fecho das urnas sem que houvesse, sequer, previsão de quem seria o vencedor do lado dos democratas).
Obama começou por ter uma ligeira vantagem, que foi diminuindo à medida que o tempo passava e os resultados oficiais eram conhecidos. Houve uma altura da noite em que a diferença de votos entre os 2 candidatos era de menos de 1000 votos (num universo de cerca de 711.000 votos já contados e registados para cada um deles).
No meio disto tudo, como se as eleições americanas não fossem, já de si, praticamente impossíveis de perceber na sua totalidade, ainda assistimos ontem à realização simultânea, no Texas, de caucus (a decidir 1/3 dos delegados) e primárias (os restantes 2/3)...
Como é que será que isto se processa na prática, perguntam vocês...? Parece que quem vota durante o dia nas primárias pode (se assim o desejar) voltar ao fim do dia e votar também para o caucus (recebe um comprovativo do seu voto, que o habilita a votar no caucus), mas votar só no caucus não é possível. Vá-se lá perceber este sistema...
E, curiosamente, ou talvez não, os resultados de ambos foram diferentes: Obama ganhou o caucus (e mantém-se à frente no número de delegados) e a Hil ganhou as primárias.
A CNN não arriscava qualquer previsão. A contagem dos votos processava-se de forma lenta (acabei por me ir deitar umas horas após o fecho das urnas sem que houvesse, sequer, previsão de quem seria o vencedor do lado dos democratas).
Obama começou por ter uma ligeira vantagem, que foi diminuindo à medida que o tempo passava e os resultados oficiais eram conhecidos. Houve uma altura da noite em que a diferença de votos entre os 2 candidatos era de menos de 1000 votos (num universo de cerca de 711.000 votos já contados e registados para cada um deles).
No meio disto tudo, como se as eleições americanas não fossem, já de si, praticamente impossíveis de perceber na sua totalidade, ainda assistimos ontem à realização simultânea, no Texas, de caucus (a decidir 1/3 dos delegados) e primárias (os restantes 2/3)...
Como é que será que isto se processa na prática, perguntam vocês...? Parece que quem vota durante o dia nas primárias pode (se assim o desejar) voltar ao fim do dia e votar também para o caucus (recebe um comprovativo do seu voto, que o habilita a votar no caucus), mas votar só no caucus não é possível. Vá-se lá perceber este sistema...
E, curiosamente, ou talvez não, os resultados de ambos foram diferentes: Obama ganhou o caucus (e mantém-se à frente no número de delegados) e a Hil ganhou as primárias.
O 3º comeback da Mrs. Clinton
O lema de campanha “Yes, we can” passou a “Yes, she can” ontem à noite em Ohio! :-)
"As Ohio goes, so goes the nation!" (parece que nenhum candidato nos últimos largos anos, republicano ou democrata, chegou à presidência sem vencer as primárias de Ohio...). "This nation is coming back, and so is this campaign!", afirmou ontem à noite a Hil no seu discurso de vitória, quando os resultados do Texas ainda não eram conhecidos.
Obama, por sua vez, jogou o trunfo do “orgulho nacional”, em como amava o seu país e as oportunidades que o mesmo lhe proporcionou.
PS – Nunca vi uma nação tão orgulhosa de si própria nem tanta gente “pendente” deste orgulho nacional. Um destes dias, no Larry King Live, perguntou-se ao painel de comentadores quais as qualidades que cada um deles entendia serem essenciais num Presidente americano, e entre as típicas respostas de “bom senso, capacidade de decisão, experiência”, houve um caramelo que disse que ele “apenas” pretendia uma pessoa que realmente amasse o país, o que, no fundo, era o que mais importava. E, realmente, este é um pensamento muito comum por estas bandas.
"As Ohio goes, so goes the nation!" (parece que nenhum candidato nos últimos largos anos, republicano ou democrata, chegou à presidência sem vencer as primárias de Ohio...). "This nation is coming back, and so is this campaign!", afirmou ontem à noite a Hil no seu discurso de vitória, quando os resultados do Texas ainda não eram conhecidos.
Obama, por sua vez, jogou o trunfo do “orgulho nacional”, em como amava o seu país e as oportunidades que o mesmo lhe proporcionou.
PS – Nunca vi uma nação tão orgulhosa de si própria nem tanta gente “pendente” deste orgulho nacional. Um destes dias, no Larry King Live, perguntou-se ao painel de comentadores quais as qualidades que cada um deles entendia serem essenciais num Presidente americano, e entre as típicas respostas de “bom senso, capacidade de decisão, experiência”, houve um caramelo que disse que ele “apenas” pretendia uma pessoa que realmente amasse o país, o que, no fundo, era o que mais importava. E, realmente, este é um pensamento muito comum por estas bandas.
A nomeação republicana
Sem surpresas (nesta fase da campanha), mas ainda difícil de acreditar se pensarmos nas previsões existentes há uns meses, o senador do Arizona John McCain (autor de 2 das minhas frases preferidas nesta campanha – “Ficaremos no Iraque 100 anos, se necessário for” e “Não tenho grandes conhecimentos de Economia”) atingiu os delegados necessários para a nomeação e, consequentemente, vai ser o candidato republicano às eleições de Novembro.
Para trás fica um Huckabee hulmide e modesto, na hora de despedida como durante os meses que se antecederam, que, no entanto, sempre se recusou a desistir da corrida, apesar da matemática nunca ter funcionado a seu favor e dos seus recursos terem sido sempre ridícula e praticamente inexistentes (no seu discurso de ontem, ele referiu que o seu staff era composto por cerca de 30 pessoas, se não me engano... pior do que isto é difícil de acreditar!).
Antes de abandonar a corrida, Huckabee proporcionou um dos momentos altos da campanha até ao momento, quando foi confrontado, em directo na tv, a semana passada, com a impossibilidade matemática de conseguir atingir os 1.191 delegados necessários para a nomeação republicana - aparentemente, uma surpresa (só) para ele, o que provocou o 1º momento de risota – e, para piorar as coisas, referiu que, ainda que assim fosse, era preciso não esquecer o papel dos super delegados... tendo sido prontamente informado pelo jornalista que estes só existem do lado dos democratas! Um vídeo a procurar no YouTube para os amantes destes assuntos!
A outra polémica da semana foi a controvérsia gerada à volta dos anúncios sobre “o telefone a tocar na Casa Branca às 3h da manhã”: primeiro um anúncio televisivo lançado pela campanha da Hil a reforçar o facto de ela ser a pessoa mais indicada para responder a uma situação de crise, dada a sua experiência comprovada (daí a sua famosa frase de estar pronta para começar “on day 1”) e, por outro lado, uma rápida e excelente resposta da campanha do Obama, que pegou no mesmo anúncio e o modificou a seu favor (com aquele “velho” argumento de ser o único candidato que nunca votou a favor da guerra do Iraque, quando parece que nem senador era nessa altura e, por isso, nem voto tinha na matéria...). Mais 2 vídeos altamente aconselhados! (se calhar eu devia aprender a pôr esse tipo de vídeos no meu blog... sempre era mais fácil...)
Para trás fica um Huckabee hulmide e modesto, na hora de despedida como durante os meses que se antecederam, que, no entanto, sempre se recusou a desistir da corrida, apesar da matemática nunca ter funcionado a seu favor e dos seus recursos terem sido sempre ridícula e praticamente inexistentes (no seu discurso de ontem, ele referiu que o seu staff era composto por cerca de 30 pessoas, se não me engano... pior do que isto é difícil de acreditar!).
Antes de abandonar a corrida, Huckabee proporcionou um dos momentos altos da campanha até ao momento, quando foi confrontado, em directo na tv, a semana passada, com a impossibilidade matemática de conseguir atingir os 1.191 delegados necessários para a nomeação republicana - aparentemente, uma surpresa (só) para ele, o que provocou o 1º momento de risota – e, para piorar as coisas, referiu que, ainda que assim fosse, era preciso não esquecer o papel dos super delegados... tendo sido prontamente informado pelo jornalista que estes só existem do lado dos democratas! Um vídeo a procurar no YouTube para os amantes destes assuntos!
A outra polémica da semana foi a controvérsia gerada à volta dos anúncios sobre “o telefone a tocar na Casa Branca às 3h da manhã”: primeiro um anúncio televisivo lançado pela campanha da Hil a reforçar o facto de ela ser a pessoa mais indicada para responder a uma situação de crise, dada a sua experiência comprovada (daí a sua famosa frase de estar pronta para começar “on day 1”) e, por outro lado, uma rápida e excelente resposta da campanha do Obama, que pegou no mesmo anúncio e o modificou a seu favor (com aquele “velho” argumento de ser o único candidato que nunca votou a favor da guerra do Iraque, quando parece que nem senador era nessa altura e, por isso, nem voto tinha na matéria...). Mais 2 vídeos altamente aconselhados! (se calhar eu devia aprender a pôr esse tipo de vídeos no meu blog... sempre era mais fácil...)
terça-feira, 4 de março de 2008
Sports III
E porque só assistir a jogos e nunca "praticar" desporto não podia ser (eternamente), lá aceitei, a medo, um generoso convite para ir esquiar este fds.
Foi a minha 1ª vez, o que implicou dores várias pelo corpo, algumas nódoas negras, mas felizmente nada partido ou fora de sítio. E um cansaço imenso que ainda persiste...
As quedas... foram bastantes, como é apanágio de um 1º dia de ski... ainda para mais tendo, apenas, tido uma horita de aulas logo no início da manhã, a qual acabei por partilhar, pelo menos parcialmente, com outro inexperiente como eu - lá nos fomos os 2 amparando nas quedas e nos medos próprios do 1º dia, enquanto o resto do grupo se divertia noutras pistas mais exigentes.
A experiência foi muito boa, mas encarar aquelas cadeirinhas (que nos levam para o cume da montanha) penduradas por um ferro no meio do nada é que foi um sarilho... Dadas as minhas vertigens, tinha de ir quase sempre de olhos fechados e todo o dia em pânico com a ideia de ficar lá em cima pendurada a balouçar.
Felizmente, a única vez que isso aconteceu connosco lá sentados foi uma breve paragem de pouquíssimos minutos que, no entanto, me pareceram uma eternidade e me deixaram sem pinga de sangue no corpo!
Um dia muito bem passado e mais um monte de roupa (nova e volumosa, para resistir a um dia inteiro a tentar sobreviver na neve) a encher o (pequeno) armário lá de casa!
Foi a minha 1ª vez, o que implicou dores várias pelo corpo, algumas nódoas negras, mas felizmente nada partido ou fora de sítio. E um cansaço imenso que ainda persiste...
As quedas... foram bastantes, como é apanágio de um 1º dia de ski... ainda para mais tendo, apenas, tido uma horita de aulas logo no início da manhã, a qual acabei por partilhar, pelo menos parcialmente, com outro inexperiente como eu - lá nos fomos os 2 amparando nas quedas e nos medos próprios do 1º dia, enquanto o resto do grupo se divertia noutras pistas mais exigentes.
A experiência foi muito boa, mas encarar aquelas cadeirinhas (que nos levam para o cume da montanha) penduradas por um ferro no meio do nada é que foi um sarilho... Dadas as minhas vertigens, tinha de ir quase sempre de olhos fechados e todo o dia em pânico com a ideia de ficar lá em cima pendurada a balouçar.
Felizmente, a única vez que isso aconteceu connosco lá sentados foi uma breve paragem de pouquíssimos minutos que, no entanto, me pareceram uma eternidade e me deixaram sem pinga de sangue no corpo!
Um dia muito bem passado e mais um monte de roupa (nova e volumosa, para resistir a um dia inteiro a tentar sobreviver na neve) a encher o (pequeno) armário lá de casa!
segunda-feira, 3 de março de 2008
Sports II
Ontem fui ver mais um jogo de hóquei no gelo - faltam 17 jogos para o final da época e os Blackhawks ocupam a 24ª posição num campeonanto com 30 equipas, algumas delas canadianas (nem de propósito, a equipa rival ontem era de Vancouver).
Os jogos de hóquei são interessantes a vários níveis, mas nada bate os momentos de pancadaria entre os jogadores, que ontem foram inúmeros e deixaram, inclusive, manchas de sangue espalhadas pelo ringue...
E as pessoas aplaudem e incentivam, como se toda a emoção do jogo estivesse naqueles breves momentos selváticos, onde os jogadores descarregam a sua fúria da forma mais animalesca possível (e, realmente, são os "momentos kodak" dos jogos).
E, pior do que isso, os árbitros, nalguns casos, ficam igualmente a ver, à espera que os jogadores se cansem e parem de esmurrar a cara um do outro (o que, num dos casos, demorou vários minutos) e só então o jogo recomeça, com as devidas penalizações de cada lado (i.e., os jogadores são expulsos do jogo durante os minutos estabelecidos pelos árbitro).
Alguém me explica estas regras???
Os jogos de hóquei são interessantes a vários níveis, mas nada bate os momentos de pancadaria entre os jogadores, que ontem foram inúmeros e deixaram, inclusive, manchas de sangue espalhadas pelo ringue...
E as pessoas aplaudem e incentivam, como se toda a emoção do jogo estivesse naqueles breves momentos selváticos, onde os jogadores descarregam a sua fúria da forma mais animalesca possível (e, realmente, são os "momentos kodak" dos jogos).
E, pior do que isso, os árbitros, nalguns casos, ficam igualmente a ver, à espera que os jogadores se cansem e parem de esmurrar a cara um do outro (o que, num dos casos, demorou vários minutos) e só então o jogo recomeça, com as devidas penalizações de cada lado (i.e., os jogadores são expulsos do jogo durante os minutos estabelecidos pelos árbitro).
Alguém me explica estas regras???
Sports I
Um dos assuntos favoritos dos americanos é o desporto, nas suas variadas vertentes e modalidades - nisso não se pode dizer que haja muita diferença face aos europeus, ainda que as modalidades preferidas não sejam exactamente as mesmas.
Eu tenho tentado acompanhar "a onda", pelo menos no que toca a assistir a jogos, entre basket, hóquei no gelo, futebol americano e algum (pouco) "futebol à boa moda europeia" (aquilo a que os americanos - e não mais do que meia dúzia de outros países - chamam soccer), ainda que o campeonato de rugby me tenha passado completamente ao lado, apesar da excitação que o mesmo provocou entre a minha equipa (ou não estivéssemos a falar de ingleses / gauleses / neo-zelandeses), mas a ver se na próxima época apanho o ritmo...
O fds passado fui convocada para ir para um Irish Pub ao pé da minha casa - com o sugestivo nome Fadó - para assistir à final da Carling Cup, no mítico estádio de Wembley, entre o Chelsea e os "Spurs" Tottenham, já que um dos nossos amigos (inglês, por sinal) é fanático pelos Spurs.
Nada contra ver um jogo de "verdadeiro" futebol, ainda para mais do (exigente e sempre interessante) campeonato inglês, mas com o fuso horário os jogos acontecem a umas horas muito impróprias para consumo americano!
Este, por exemplo, começava às 9h da manhã de domingo... Escusado será dizer que cheguei ao tal bar a meio da 2ª parte, e fui a única pessoa contente pelo facto do jogo ter ido a prolongamento e eu ainda poder usufruir um pouco mais da sua emoção (e do meu brunch de domingo, tipicamente anglófono).
Eu tenho tentado acompanhar "a onda", pelo menos no que toca a assistir a jogos, entre basket, hóquei no gelo, futebol americano e algum (pouco) "futebol à boa moda europeia" (aquilo a que os americanos - e não mais do que meia dúzia de outros países - chamam soccer), ainda que o campeonato de rugby me tenha passado completamente ao lado, apesar da excitação que o mesmo provocou entre a minha equipa (ou não estivéssemos a falar de ingleses / gauleses / neo-zelandeses), mas a ver se na próxima época apanho o ritmo...
O fds passado fui convocada para ir para um Irish Pub ao pé da minha casa - com o sugestivo nome Fadó - para assistir à final da Carling Cup, no mítico estádio de Wembley, entre o Chelsea e os "Spurs" Tottenham, já que um dos nossos amigos (inglês, por sinal) é fanático pelos Spurs.
Nada contra ver um jogo de "verdadeiro" futebol, ainda para mais do (exigente e sempre interessante) campeonato inglês, mas com o fuso horário os jogos acontecem a umas horas muito impróprias para consumo americano!
Este, por exemplo, começava às 9h da manhã de domingo... Escusado será dizer que cheguei ao tal bar a meio da 2ª parte, e fui a única pessoa contente pelo facto do jogo ter ido a prolongamento e eu ainda poder usufruir um pouco mais da sua emoção (e do meu brunch de domingo, tipicamente anglófono).
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