quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Esta noite teve lugar mais um debate entre os candidatos democratas (neste momento, apenas restam a Hil e o Obama), o qual decorreu na Califórnia.
O debate foi (quase inesperadamente) suave e civilizado entre ambos - quem diria que comentários de cariz racista estavam na ordem do dia entre ambas as campanhas.
Ambos agiram como velhos companheiros de guerra, referiram que a amizade que tinham antes permaneceria intacta mesmo após as eleições, garantiram estar a ter um verdadeiro "nice time" com esta campanha e afirmaram veementemente que, independentemente do candidato que for nomeado no fim, o partido estará unido em torno desse mesmo candidato contra os republicanos.
Quererá isto significar que as baterias de ambos já estão apontadas contra os republicanos, e não um contra o outro...?
Dificilmente isso acontecerá tão cedo, na minha opinião...
De facto, por um lado os resultados de ambos são bastante semelhantes e, por isso, tudo está em aberto; por outro lado, é expectável que a Hil ganhe vantagem na maioria dos 22 Estados que vão votar em primárias na próxima 3f, nomeadamente na Califórnia, (by the way, o "I'll be back" guy que governa a Califórnia já manifestou o seu apoio a McCain), pelo que, na minha opinião, dificilmente o Obama poderá manter este pacto de "não-agressão", em vez de partir para a luta...
Este fds, no entanto, a América tira folga da política, porque as atenções vão estar todas concentradas na Super Bowl, o derradeiro jogo da season do futebol americano.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Estado da Nação
Uma palavrinha para vos dizer que o Sr. Bush fez o seu último discurso do Estado da Nação no início da semana (impossível não ter notado tal coisa, porque estavam inúmeros canais de televisão em directo a transmitir o dito), o qual se centrou, aparentemente, em 2 temas fulcrais:
- O pacote de medidas proposto para travar a recessão da economia americana, o qual inclui inúmeros cortes nos impostos (parece que também me vai beneficiar a mim, imaginem...); e,
- A guerra no Iraque, tema que ocupou significativa parte do discurso e em que, segundo ouvi comentar, o Presidente adiantou alguns números (de tropas americanas) pela primeira vez.
Claro que o discurso estava a ser tão entediante que só o consegui ouvir durante uns 10 minutos... (durou mais de 1h, by the way).
E do lado dos Democratas...
De facto, o Bill, nas últimas semanas, tem feito campanha acérrima pela sua companheira de vida, inclusive em locais por onde ela nem passou (o cansaço da campanha provocou, inclusive, aquele momento humorístico do mês nas comemorações do Martin Luther King Day).
O facto do Bill ter um papel tão activo tem, obviamente, inúmeras vantagens para a campanha da Hil, nomeadamente desde que ele tem assumido o papel de crítico "aberto" do Obama.
No entanto, também tem as suas desvantagens...
Alguns democratas já vieram, inclusive, a público criticar o seu comportamento "excessivo" (Ted Kennedy, o patriarca da "família real" americana, foi um deles, e esta semana decidiu dar o seu apoio público a Obama, comparando-o com o lendário JFK).
No entanto, mais do que tudo isso, é a própria imagem da Hil, feminista e mulher independente, que mais tem a perder no meio disto tudo.
Fica a impressão, segundo alguns, que quando as coisas se tornam "duras", a Hil corre a pedir auxílio ao marido... E que, de repende, passa a ser "apenas" (e novamente) a Sra. Clinton.
Ou que a mudança que a sua campanha tanto apregoa mais não é do que o reviver dos tempos Clinton na presidência, sem trazer a vaga de mudança que ela tenta apregoar.
Para já não falar daqueles que temem a "intromissão" excessiva na Casa Branca de um ex-presidente que, muito provavelmente, não aceitará ficar apenas na sombra da sua mulher, e que, na sua qualidade de ex-presidente, tem, por si só, acesso privilegiado a informação de carácter confidencial.
Seja como for, a candidatura da Sra. Clinton está bem lançada e, apesar de nada estar certo por agora, é expectável que o seu resultado nas várias primárias que ocorrerão na próxima 3ª f possa reforçar e confirmar a sua liderança.
John McCain
John McCain vem de família respeitável ligada desde sempre à Marinha e à política e é o tradicional herói de guerra.
Foi piloto na guerra do Vietname, o seu avião foi abatido em 1967, partiu os 2 braços e 1 perna, foi capturado, feito prisioneiro de guerra durante 5 anos e meio (quase sempre confinado à solitária, dada a sua "difícil" personalidade) e torturado.
Diz-se que se recusou a ser libertado enquanto os seus companheiros permanecessem em cativeiro, mas mais tarde também admitiu ter "oferecido" informação privilegiada de natureza militar aos seus raptores em troca de especiais cuidados médicos - parece, aliás, que quando o inimigo descobriu que o "McCain pai" era o Comandante de todas as tropas americanas na Europa e prestes a tornar-se Comandante das tropas americanas no Pacífico, incluindo o Vietname, McCain foi de imediato transportado para um hospital militar comunista, onde recebeu tratamento não disponível a prisioneiros de guerra americanos.
O tempo passado em cativeiro branqueou-lhe por completo o cabelo. Os ferimentos decorrentes da guerra não lhe permitem, até hoje, levantar as suas mãos acima de uma determinada altura.
Divorciou-se da mulher que "esteve ao seu lado" durante o tempo que foi prisioneiro de guerra após um acidente que a deixou incapacitada.
Casou novamente com uma senhora mais nova e herdeira de uma grande fortuna, que entretanto foi acusada de roubar analgésicos, durante 2 anos, a uma organização sem fins lucrativos de que era presidente. A senhora McCain acabou por ter de vir a público admitir a sua dependência a analgésicos (durante algum tempo, chegava a ingerir 15 a 20 comprimidos por dia).
McCain é visto como uma pessoa de carácter, capaz de tomar decisões duras, se necessário, sem fugir à luta.
O seu mais recente escândalo envolveu a adopção de um bebé de 2 anos proveniente do Bangladesh. Vários boatos circularam em 2000 a propósito deste tema - dizendo, inclusive, que a criança em causa era fruto de uma relação extraconjugal da sua mulher - aquando da sua anterior candidatura à presidência (na altura, contra o sr. Bush) e que, então, aniquilaram por completo as suas aspirações políticas.
Vamos ver qual será o resultado, desta vez. Para já, John McCain é o mais que provável candidato republicano às eleições de Novembro e é visto como o candidato que mais condições tem para defrontar o candidato democrata, seja ele qual for.
Flórida
Ontem à noite assistimos às primárias na Flórida - do lado dos democratas ganhou a senhora Clinton e do lado dos republicanos ganhou o experiente McCain.
Estas primárias tiveram , no entanto, o seu quê de originalidade, por 2 motivos essenciais:
- Os democratas alteraram as regras do jogo (como se o sistema político americano fosse, só por si, fácil de entender!) e não havia delegados para atribuir, pelo que, de uma forma geral, nem campanha a sério foi feita pelos respectivos candidatos - não deixa, no entanto, de ser uma vitória expressiva da Hil, que a equipa do Obama tenta, agora, menosprezar ao máximo (John Edwards, o outro candidato, decidiu entretanto desistir da corrida);
- Do lado dos republicanos, grandes expectativas estavam centradas no resultado que poderia ter Rudy Guiliani, que esteve (apenas) na Flórida a fazer campanha durante os últimos meses (provavelmente alguns ainda terão presente o papel preponderante que este Estado teve nas últimas eleições presidenciais, garantindo o lugar ao Sr. Bush) - o resultado foi, no entanto, tão desanimador, que Giuliani decidiu, sem mais, afastar-se da corrida e ainda hoje vai oficialmente dar o seu apoio a McCain.
Ponto de situação: neste momento, os republicanos estão praticamente decididos quanto ao seu candidato - John McCain - ainda que Mitt Romney ainda esteja na corrida; do lado dos democratas, tudo permanece em aberto entre a Hil e o Obama.
Na próxima semana decorrerão primárias em vários Estados ao mesmo tempo (a famosa Super Tuesday) e vamos ver como as coisas evoluem... Aqui em Chicago já começaram os tempos de antena do Obama (que é um "filho da cidade").
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Depois de ter sido convencida a ficar por cá mais uns tempos (pronto, confesso, não foi difícil...), decidi partilhar convosco algumas das descobertas linguísticas dos últimos tempos.
Já se sabe que os States são diferentes do resto do mundo em quase tudo (bom, não conduzem os carros do lado errado da estrada, mas tirando isso...), e sobre isso tenho uma lista imensa de coisas para escrever um post um destes dias, mas também as expressões que eles usam por cá têm, por vezes, um significado diferente do "inglês europeu" (obviamente nem falo da questão da pronúncia ou da acentuação das palavras...).
Por isso, os americanos vão ao "movies" e os ingleses vão ao "cinema".
Por outro lado, um feriado americano é um "holiday", mas quando se vai de férias está-se em "vacations"; já os ingleses usam a expressão "holiday" indistintamente para uma e outra realidade.
E claro, não me podia esquecer (mas pelos vistos esqueci...) da famosa diferença entre "check, please" (nos States) e "bring me the bill".
Ou das "pants" americanas (calças), que no Reino Unido passam a "trousers" (porque pants refere-se a roupa interior).
É sempre bom saber estas coisas...